Lágrimas de crocodilo

O Renê Simões tinha razão, uma anomalia midiática foi criada. As lágrimas do queridinho da Globo TV são o arrego da máscara e não venha nos dizer que um jogador brasileiro não pode ser criticado.

 

Do Blog do Garotão / pelo Garotão

 

Em 15 de setembro de 2010, então treinador do Atlético Goianiense, o bom caráter Renê Simões profetizava em relação ao atacante Neymar, do Santos:

– Estou extremamente decepcionado. Estou desde garoto no futebol e poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Sempre trabalhei com jovens e nunca vi nada assim. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro.

Anos depois, após ser coadjuvante no Barcelona da Espanha – em meio a sentenças e investigações por irregularidades contábeis/tributárias –, o Neymar Júnior chegou em 2017 ao Paris Saint-Germain da França com o status de um melhor do mundo – que friamente analisando, dificilmente aquele brasileiro alcançará esse título enquanto o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo jogarem o futebol que apresentam, sem firulas e com objetividade coletiva, apesar dos recordes pessoais.

Ontem (10/nov), em coletiva após um amistoso da Seleção do Tite com o Japão, o jogador chorou (sim, chorou) e disse:

– Eu não tenho nenhum problema no PSG, o que me incomoda é a pressão da imprensa. Eu sou um cara que gosta de vencer, gosto de títulos e eu fui para o PSG para isso. Eu estou feliz. Eu era feliz quando deixei o Barcelona e sou feliz…

E por que o choro?

Segundo o marrento, porque a imprensa pressiona e não sabe o que escreve.

Ora, o Renê Simões tinha razão, uma anomalia midiática foi criada. Quem não se recorda que o treinador Dorival Júnior foi demitido do Santos por causa daquele jogador; da marra apresentada nas descidas do ônibus da Seleção – uma das cenas mais ridículos que presenciei numa transmissão esportiva: mais parecia um periquito enfeitado fazendo mídia de boné e mochila de marca própria; entre outras bizarrices pelos gramados das eliminatórias últimas.

Para não se prolongar, ícone do jornalismo esportivo bajulador da Globo TV – que tem sua caricatura no insuportável Galvão Bueno – o Neymar bagunçou o vestiário do PSG ao criar uma panelinha com os brasileiros no Clube, em especial com o Daniel Alves. Dizer que não tem problemas no Paris Saint-Germain é desafiar a inteligência do expectador, a não ser que o Edson Cavani tenha perdido a função de batedor exclusivo de pênaltis e faltas para a barata da vizinha.

A última: a discussão com o técnico espanhol Unai Emery, do PSG, chega a ser grotesca. Neymar estaria insatisfeito com as decisões do treinador. Ora, insatisfeito um jogador pode até ficar, assim como qualquer subordinado em relação ao seu superior, mas daí querer ou forçar, ou mesmo criar um clima, para uma mudança de comando técnico para autossatisfação é piada.

As lágrimas do queridinho da Globo TV são o arrego da máscara. Parece-nos que a imprensa francesa, diferente dos grandes veículos jornalístico brasileiros, não engoliu os mimos do “ídolo”, daquele que se diz “espelho para muita gente”.

Aquele (a) que lê este post tem o direito de discordar dos nossos argumentos, mas não venha nos dizer que um jogador brasileiro [por mais que se diga “ídolo”] não pode ser criticado.